Oração da manhã
O dia começa com as Laudes e a meditação da Palavra, em comunidade.
Da Eucaristia brota tudo: a oração, a vida fraterna e a missão.
A Congregação nasceu do amor excepcional do fundador pela Eucaristia e por Nossa Senhora. Dom Raffaello Delle Nocche foi um adorador silencioso: sua adoração era escuta, assimilação humilde do mistério da salvação, e se tornava vida vivida na comunhão da caridade e na doação total de si aos outros.
Ele não teve em mente limitar as Irmãs a obras específicas. Quis dar à Igreja mulheres totalmente consagradas à adoração e à reparação que, oferecendo-se em união ao Sacrifício eucarístico, irradiassem sua luz com humildade e simplicidade, no serviço aos mais pequeninos.
Por isso há, no nosso carisma, uma síntese vital entre contemplação e ação, reflexo da unidade do próprio Mistério eucarístico — “sacrifício e banquete de salvação”. Nossa adoração é oração, é oblação, é disponibilidade, é acolhida, é missão apostólica.
“Como Irmãs Discípulas, sentimos a sublime beleza da vida que o Mestre escolheu perpetuar na Eucaristia, sacrifício e banquete de salvação, e desejamos chegar à perfeição da caridade conforme à nossa vocação, unidas a Deus com a oração e ao próximo com o apostolado, para fazer-nos todas para todos, a fim de conduzir todos a Ele.” Constituições, 02
O nome “Discípulas de Jesus Eucarístico” era muito caro ao Padre Fundador porque quem o escolheu foi o Papa Pio XI, numa audiência memorável em que o encorajou a realizar a fundação. As Constituições dizem que as Discípulas “orientam toda a sua vida ao significado do seu nome”.
“Amarão as Discípulas exercer seu apostolado nos pequenos lugares, nas obras humildes, e terão como privilégio e dom de Jesus os incômodos, as privações e o ocultamento. Não só como pessoas, mas também como Congregação, preferirão o último lugar.” Primeiras Constituições, art. 11
A jornada das irmãs é marcada por momentos que se repetem e sustentam a entrega.
O dia começa com as Laudes e a meditação da Palavra, em comunidade.
Participação diária da celebração eucarística, coração de toda a jornada.
Tempo diário diante do Santíssimo Sacramento, em silêncio e intercessão.
As irmãs se dedicam às obras confiadas à Congregação, servindo com alegria.
As refeições, a recreação e as reuniões comunitárias tecem os laços entre nós.
O dia se encerra com as Vésperas, o exame de consciência e o silêncio sagrado.
Pelos votos religiosos, a irmã entrega a Deus aquilo que tem de mais precioso: os bens, o corpo e a própria vontade. Não como renúncia triste, mas como resposta livre e alegre a um Amor que veio primeiro.
Como discípulas, somos chamadas a:
Orientadas pelo lema “O Mestre está aqui e te chama”, procuramos constantemente pautar a nossa vida de acordo com a proposta do Mestre, buscando a cada momento aprender e colocar em prática as suas lições e os seus ensinamentos.
Dom Raffaello vê na Eucaristia a realização do “Magister adest” — a presença viva do Mestre, que determina cada uma das suas escolhas de vida, de ação e de apostolado.
“Magister adest! Não é o Mestre distante e estrangeiro, o inacessível modelo de uma vida moral, mas é o Deus ao lado, o Deus que se comprometeu com as lutas de cada ser humano, o Deus próximo. E qual lugar mais alto desta proximidade de Deus senão o pão adorável da Eucaristia, o corpo do Senhor Jesus em meio a nós, para nós, como companheiro de vida? Aqui está o infinito amor que inspirou toda a vida de Dom Delle Nocche à Eucaristia: o lugar da fidelidade de Deus, da proximidade de Deus, o lugar onde o céu e a terra se encontram, onde o Altíssimo, o Soberano, torna-se humilíssimo e próximo.” Dom Bruno Forte, Arcebispo de Chieti-Vasto
Dessa humanidade de Deus nasce também a humanidade do seu adorador. Como escreveu o mesmo autor: “Ser profundamente humano! Foi isto que Dom Delle Nocche nos ensinou: que o ser profundamente de Deus não concorre, se é verdadeiro, com o ser profundamente humano. Mestre de humanidade ele o foi porque foi mestre de contemplação e de encontro com Deus.”
A espiritualidade do fundador é eucarístico-mariana: com Nossa Senhora, primeira discípula e mulher eucarística, aprendemos a permanecer sempre abertas à luz de Deus. Deixamo-nos formar pelo exemplo de Maria, a quem veneramos com o título de Nossa Senhora das Dores.
Maria estava de pé, junto à cruz de Jesus. Esteve de pé ao longo de toda a sua vida, permanecendo a seu lado — desde Belém até Jerusalém, desde o nascimento à cruz. Ela é exemplo de Discípula para nós: aquela que soube vivenciar todas as lições do Filho, o qual passa a ser seu Mestre. Maria, de mãe, torna-se discípula. Ela nos inspira e nos ensina a ser Discípulas de Jesus Eucarístico.
Escutamos a sua voz que nos diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser” — e seguimos confiantes, na certeza de que Deus sustentará até o fim a nossa fidelidade.
“Maria é para nós modelo exemplar de fidelidade ao carisma. O nosso amor pela Eucaristia se exprime também com a mais terna, filial e confiante devoção a Nossa Senhora, a primeira Discípula de Jesus, a mais perfeita adoradora e reparadora. Nós a veneramos particularmente como Mãe das Dores, Aquela que permanece aos pés da cruz.” Constituições, 09
O verdadeiro e único adorador é Jesus Sacerdote. Ele, porém, chama também as criaturas a colaborar com ele: estas, no entanto, serão adoradores enquanto estiverem unidas a ele,
o imitarem em tudo e por tudo.
Uma palavra de fé escrita pelas próprias irmãs, à luz da Palavra e da Eucaristia, para acompanhar a sua semana.