Vocês tem algo que possa nutrir? O que é que está alimentando vocês? Qual tem sido o “pão” cotidiano de vocês? Do que é que vocês tem se alimentado? Não temos nada para comer; estamos com fome. Nossa esperança está desnutrida. Cada momento um de nós debanda, retoma seus antigos projetos: uns retornaram a Emaús, outros – e inclusive nós – retornam a seus antigos ofícios, remendam as redes encostadas e as lançam nos velhos mares...
Talvez, naquele “não”, estivessem presentes sentimentos e sensações semelhantes. Mas, eis que o desconhecido começa a se dar a conhecer: “Joguem a rede do lado direito da barca e vocês acharão peixe”. “É o Senhor”! Sussurra João ao ouvido de Pedro. – Só pode ser ele!
“ Não temos o que comer! É verdade! Não temos o que comer. Tínhamos um sonho, um projeto maravilhoso. Jesus de Nazaré veio, nos constituiu seus seguidores. Acreditamos que poderíamos transformar o mundo! Ele falou-nos da utopia de um Reino que não aconteceu e que foi sepultado junto com ele naquela cinzenta sexta-feira. Por três anos nos alimentamos da sua presença, dos seus sonhos e de suas palavras. Quando ele falava, ficávamos como que pendurados em suas palavras e o conteúdo que saía de sua boca e de seu coração nos nutria e trazia à nossa vida aquela saciedade com sabor de eternidade. Mas hoje, não temos o que comer. Nossas vidas experimentam o vazio! Não sobrou nada para nós. Não há mais sonhos, não há mais utopias. Não há mais projetos... Não há esperança. Resolvemos voltar à nossa antiga atividade, aos nossos pequenos projetos. Temos fome! Não temos nada que neste momento nos esteja alimentando a existência! ”
“Rapazes, vocês tem alguma coisa para comer”? Eles responderam: “Não”. (Jo 21,1-14)
Jesus, continua aparecendo todas as manhãs à margem do lago onde eu pesco. Ao amanhe cer o dia, possa o Senhor estar lá, me enchendo de esperança, novo entusiasmo, nova capacidade de lançar as redes em lugares ainda não visitados. Ajuda-me, Senhor, a realizar uma pesca farta de 153 grandes peixes. Aumenta minha esperança, meu desejo, minha capacidade de busca.
Ir. Andréa dos Santos Lourenço Discípulas de Jesus Eucarístico
Como terá sido para os discípulos terem ouvido a palavra pronunciada pela própria boca ao responderem à pergunta do “desconhecido” na praia? – “Tendes alguma coisa para comer”? “Não”! Talvez tenha sido o momento da tomada de consciência:
O Ressuscitado: alimento para a nossa esperança
Quem daria conta de trazer vida e esperança àqueles desolados corações? Quem seria capaz de, naquelas circunstâncias, “fazer arder os corações e abrir os olhos”, senão só ele?