Sagrado Coração de Jesus: Um Deus que se deixa atravessar
“Um soldado atravessou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água... ... Olharão para aquele que transpassaram ”. Jo 19,34.37
Nosso Deus é um Deus que se deixa atravessar pela nossa humanidade: “ E o Verbo se fez Carne e habitou entre nós ” (Jo 1,14) A encarnação de Deus nos mostra um Deus que ATRAVESSA (passa por), se detém, se entretém conosco. E, enquanto se entretém, se deixa TRANSPASSAR pelas nossas realidades e, TRANSPASSADO por elas, as transforma. Nessa travessia ele vai nos educando, nos fazendo discípulos e discípulas suas. A expressão CORAÇÃO de JESUS remete a uma forma simbólica de falar do AMOR INCONDICIONAL e sem medida que Jesus tem por nós. Amor com o qual toda a TRINDADE nos envolve e nos ama.
Deus não somente passa pelas nossas realidades humanas como um “curioso” que quer “dar uma olhada”. Não! Ele passa de forma EMPÁTICA. Solidariza-se com o que encontra, se envolve, se compromete, toma partido, postura, posicionamento. Toca o nosso barro e “lambuza” as mãos nele. Não é a famosa “expiadinha” do Big Brother, que é apenas uma curiosidade estéril, sem comprometimento. As leituras propostas para a celebração da Solenidade do Sagrado Coração nos apresentam como é o jeito de amar de Deus: Oséias 11,1.3-4.8-9 = AMOR – CUIDADO - Ensinar a andar - Tomar nos braços - Segurar com laços de amor – laço # nó - Dar alimento - Comoção e Compaixão
O Deus Criador do Gênesis é um Deus que CUIDA. Não simplesmente cria e deixa para lá. Ele cria, cuida, acompanha – AMA. Efésios 3,8-12.14-19 = Paulo anuncia: - A Riqueza de Cristo - O Desígnio salvador de Deus - Confiança de podermos nos aproximar de Deus Nos motiva a: “ Compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, a caridade de Cristo ”. Evangelho – Jo 19,31-37 - Do coração transpassado de Jesus sai: SANGUE = Eucaristia = totalidade da vida entregue e ÁGUA = Origem da vida nova no Espírito = Batismo Nosso Deus é um Deus que atravessa a nossa realidade e se deixa atravessar por ela. Ofertório na Missa: Uma gotinha de água dentro do cálice. A nossa humanidade acolhida pela divindade e assumida por ela. O Amor de Deus é um amor que tudo assume Essa é a parte de Deus. Mas uma relação precisa de reciprocidade. É necessário contar com o outro lado: o nosso! O da pessoa humana. Ao Deus que se dá, se propõe, cabe-nos uma resposta: “Vocês entenderam isso?... Serão felizes se o praticarem”. O Apóstolo Paulo nos mostra como dar a nossa resposta: CONFIGURANDO-NOS A CRISTO. Fil 2,5 – Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo. Somos Discípulos seus. Ef 3,18s – “Compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, a caridade de Cristo ”.
CORAÇÃO – - Centralidade - Lugar importante - Sede das emoções e sentimentos - Sede do AMOR – É como se o amor morasse neste órgão do nosso corpo: o nosso coração. SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS - Significa dizer de um jeito de amar que é próprio de Deus: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, AMOU-OS ATÉ O FIM ”.
EUCARISTIA – O jeito mais completo e eficaz de nos tornarmos parecidos com Jesus. A cada Eucaristia que celebramos Jesus nos convida: “ Fazei isto em memória de mim ”. O que é este ISTO ? Significa transformar a própria existência neste ISTO . O Verbo se fez Carne. Assumiu a nossa carne e a revestiu da sua. Agora somos convidados a encarnar na nossa própria existência todas as realidades com as quais o Verbo enriqueceu esta carne assumida por ele. ... E o Verbo se fez Carne... ... E a pessoa humana acolhe a carne do Verbo em si e se transfigura no Verbo. É este o convite que nos é feito por Paulo quando ele nos pede que nos configuremos a Cristo.
Ir. Andréa dos Santos Lourenço Discípulas de Jesus Eucarístico
Ao longo do caminho, o Pão Eucarístico do qual nos alimentamos vai nos ajudando a memorar o “ FAZEI ISTO ”, atualizando a atividade do Mestre no cotidiano de cada tempo da história, configurando-nos a ele, assumindo os seus sentimentos e projetos, como nos orienta Paulo e nos pede o Concílio Vaticano II: As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo . (GS 1). O Senhor Jesus, que para nós Se fez alimento de verdade e amor, falando do dom da sua vida assegura-nos: “Quem comer deste pão viverá eternamente” (Jo 6, 51). Mas, esta “vida eterna” começa em nós, já agora, através da mudança que o dom eucarístico gera na nossa vida: “Aquele que Me come viverá por Mim” (Jo 6, 57). Estas palavras de Jesus permitem-nos compreender que o mistério “acreditado” e “celebrado” possui em si mesmo um tal dinamismo, que faz dele princípio de vida nova em nós e forma da existência cristã. De fato, comungando o corpo e o sangue de Jesus Cristo, vamo-nos tornando participantes da vida divina de modo sempre mais adulto e consciente. Vale aqui o mesmo que Santo Agostinho afirma a propósito do Verbo (Logos) eterno, alimento da alma, quando, pondo em evidência o caráter paradoxal deste alimento, o santo doutor imagina ouvi-Lo dizer: “Sou o pão dos fortes; cresce e comer-Me-ás. Não Me transformarás em ti como ao alimento da tua carne, mas mudar-te-ás em Mim”. Com efeito, não é o alimento eucarístico que se transforma em nós, mas somos nós que acabamos misteriosamente mudados por ele . Cristo alimenta-nos, unindo-nos a Si; “atrai-nos para dentro de Si ”. (SCa 70) E o Papa Bento XVI continua: A missão primeira e fundamental, que deriva dos santos mistérios celebrados, é dar testemunho com a nossa vida. O enlevo pelo dom que Deus nos concedeu em Cristo, imprime à nossa existência um dinamismo novo que nos compromete a ser testemunhas do seu amor. Tornamo-nos testemunhas quando, através das nossas ações, palavras e modo de ser, é o Outro que aparece e Se comunica. Pode-se afirmar que o testemunho é o meio pelo qual a verdade do amor de Deus alcança o homem na história, convidando-o a acolher livremente esta novidade radical. No testemunho, Deus expõe-Se por assim dizer ao risco da liberdade do homem . (SCa 85).