É por isso que, em certa ocasião, quando uma voz vinda do meio da multidão exclamou para Jesus que considerava “ Feliz o ventre que o trouxe ao mundo e os seios que o amamentaram ” (Lc 11,27), Jesus imediatamente respondeu: “ Mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a colocam em prática ” (Lc 11,28). Sua mãe é feliz sim! Muito feliz! Pois ninguém como ele soube acolher (ser ventre / útero) e colocar em prática a Palavra de Deus (nutrir a própria vida e a vida dos outros da Palavra). Neste sentido, compreendemos melhor a sua fala: “ Façam tudo o que ele disser ” (Jo 2,3). É como se ela estivesse nos dizendo:
Permitam que a palavra que sai da boca do meu Filho seja a grande referência da vida de vocês. Alimentem-se de toda a Palavra que vier dele, pois ele é a própria Palavra de Deus Pai feita Carne! Portanto, meus filhos, comam das palavras que ele vos disser, saboreando-as com intensidade. Bebam e comam as palavras de vida que dele procedem.
Maria: cheia de graça e sensibilidade
Foi a esta mulher que Jesus confiou o dom de ser Mãe da Igreja: “Mulher, eis aí o teu filho... Filho, eis aí a tua mãe” (Jo 19,26s). Só uma mulher dotada de tamanha sensibilidade feminina coseguiria envolver de cuidado em seus braços maternos a Igreja inteira, a grande fileira dos discípulos e discípulas de Jesus em todos os tempos da história. Somente uma mulher assim para acompanhar-nos em nossa caminhada cotidiana, auxiliando-nos em nossas carências: “Eles não tem mais vinho” e apontando para a verdadeira realidade que preenche nossas faltas: “Façam tudo o que ele disser”.
Vem, Maria, Mãe de Deus e minha Mãe, ensina-nos a ouvir a tua voz que nos convida a seguir as orientações de Jesus. Ajuda-nos a ser discípulos e discípulas atentos e capazes de “fazer tudo o que Ele nos disser”. Vem, Mãe, aconchega em teus braços maternos a Igreja, acalenta-nos e consola-nos nos tempos difíceis e ajuda-nos a caminhar assumindo com coragem os projetos de Jesus, teu Filho, fazendo-os nossos, assim como tu os assumiste, transformando-te de Mãe em Discípula. Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, Roga por nós. Amém.
De fato, foi a sua sensibilidade desdobrada em abertura e capacidade de percepção e acolhida do Mistério, que possibilitou a encarnação do Verbo na história: “ Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a vossa palavra ” (Lc 1,38). E assim, suas entranhas maternas tornam-se lugar de abrigo da Palavra Encarnada. A sensibilidade de Maria perpassa todo o seu ser feminino: todos os seus sentidos, assim como todo o seu agir.
A sensibilidade feminina é um dos mais belos e significativos dons com os quais Deus agraciou a mulher. E, se falando de Maria, a mulher “cheia de graça”, de harmonia e equilíbrio, esse dom ganha ainda mais significado e beleza. Maria foi aquela que soube “ouvir e colocar em prática a Palavra de Deus” e soube deixar que a Palavra desse norte, orientação a cada ação e pensamento seu. Nela, a sensibilidade foi uma força capaz de fecundar a sua maternidade.
“Eles não tem mais vinho... ... Façam tudo o que ele disser” (Jo 2,3.5)
Ir. Andréa dos Santos Lourenço Discípulas de Jesus Eucarístico