Ele “sabia” , e mesmo assim continuou fazendo a opção por responder sim “ até o fim ”: “ Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim ” (Jo 13,1). Amou o Pai, amou o Reino do Pai, amou os seres humanos amados pelo Pai até o fim. Celebrar a Páscoa é celebrar a grandeza de um amor assumido com consciência e lucidez, dia-a-dia, pela pessoa humana por parte de Deus.
“Jesus sabia que tinha chegado a sua hora... ... sabia também que tinha saído de junto do Pai e estava voltando para Deus... ... Jesus sabia quem o iria trair...” Jo 13,1-11
Fascina-me o modo com o qual o evangelista João tece as narrativas do seu evangelho no decorrer dos 21 capítulos. Chama muito a minha atenção o recurso da repetição de palavras e ideias. Às vezes, em uma pequena narrativa, repete cinco, seis... dez vezes o mesmo verbo, a mesma expresso. Dessa forma, não há como não perceber as verdades mais essenciais que ele intenciona comunicar. Quando nos apresenta o texto do “lava-pés” João, nos onze primeiros versículos, parece brincar com o verbo “saber” : “Jesus sabia ... Pedro não sabia ...” porém, “ficará sabendo mais tarde” . Quando me coloco e re-coloco diante do texto brota em mim a intuição de que João quer me dizer do grau de consciência que Jesus possuía a respeito de sua missão. Em nenhum momento de sua vida, nem mesmo neste momento tão intenso e decisivo Jesus perdeu a lucidez. Sempre teve consciência dos “riscos” que estava correndo ou que poderia correr a cada instante, e, mesmo assim, insistiu e persistiu na fidelidade ao Projeto do Pai.
Jesus! Esse homem que sabe das coisas.
Ir. Andréa dos Santos Lourenço Discípulas de Jesus Eucarístico
Um Deus que nos ama “ sabendo o que quer ”. Sabe, inclusive, que a liberdade da qual ele mesmo dotou o ser que ele decidiu amar poderia levá-lo a dizer não à sua oferta de amor: “ Sabia quem o iria trair... ” (Jo 13,11). Mas, ao mesmo tempo, sabe também da possibilidade enorme que existe no coração humano de acolher sua oferta, mesmo que, a princípio se demonstre resistência e incompreensão: “ Você agora não sabe o que estou fazendo. Ficará sabendo mais tarde ”. Celebrar a Páscoa é celebrar a singularidade do amor de um Deus que nos ama de graça e por primeiro. A proposta do seu amor não é condicionada pela incerteza da nossa resposta. Ele nos ama antes de ter certeza se o acolheremos ou não. Um amor assim, tão lúcido “ não dá conta ” de ficar mergulhado eternamente na morte. A sua natureza é a vida e, mesmo que a morte o consiga abafar por algum tempo, a vida, que é a sua mesma essência, sempre terá posse da última palavra.