No que estou me tornando
Ir. Andréa dos Santos Lourenço Discípula de Jesus Eucarístico
Uma reflexão sobre o texto de Lc 6,12-19 Há alguns dias atrás estava fazendo a minha meditação cotidiana da Palavra. Era o texto que a liturgia do dia oferecia como alimento, Lc 6,12-19. Lucas relata o chamado dos Doze Apóstolos dentre o grupo dos 72 discípulos. E ao falar em Judas, Lucas acrescenta o seguinte comentário: “ Aquele que se tornou traidor ” (v.16) Parei aqui. Mais precisamente na expressão se tornou . Fiquei pensando no propósito do chamado. Jesus se preparou em oração para escolher os Doze. E Marcos, quando relata este fato explicita ainda mais a finalidade do convite de Jesus: “ Chamou os que ele desejava escolher... (os que ele quis) constituiu o grupo dos Doze para que estivessem com ele e para enviá-los a pregar... ” (Mc 3,13ss). Diante da constatação de que Judas se tornou traidor, sinto-me interpelada a lançar-me um sério questionamento: No que tenho me tornado ? Tenho me empenhado em me tornar discípula ou estou me tornando algo que não nada de próximo ou parecido com propósito inicial que Jesus tinha ao me chamar e continua tendo até hoje? Poderia ocupar o meu tempo tentando responder à pergunta: “Por que Judas se tornou traidor?” Mas, com certeza, se eu optar por esta postura, correrei o risco de ficar dando voltas inutilmente, sem chegar a lugar algum. Ao contrário. Olhar para aquilo em que Judas se tornou deve me convidar a lançar o foco sobre mim mesma e perceber o que está acontecendo com a minha vida. Em relação às perguntas que dirijo a mim mesma tenho a certeza de que será mais possível encontrar-me com as respostas. São Paulo nos convida a viver de tal forma a nos configurarmos com a pessoa de Jesus. Assim como ele, que foi capaz de dizer: “ Já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim ”. O discipulado é para nos tornarmos mais parecidos com Jesus. E esta semelhança se torna visível através de nossos atos, de nossas opções concretas, de nossas posturas em relação às realidades mais simples que se apresentam a nós em nosso cotidiano. Olho para Judas – é impossível não olhar! – e vejo no que ele se tornou . Olho para mim e vejo minhas fragilidades, meus limites e reconheço que não sou melhor do que ele. Constato que existem em mim realidades que podem ser impecilhos para que eu me torne a discípula que o Mestre deseja. Mas, ao mesmo tempo olho também para Pedro, André, João, Tiago... Perpétua, Felicidade, Teresa de Ávila, João da Cruz, Agostinho, Lourenço, Rafael Delle Nocche, Angélica Parisi, Valentina, Maria Clara... e percebo no que eles e elas se tornaram e no que ainda tem se tornado . E isto me anima e entusiasma! Percebo que é possível, a partir de nossos limites e auxiliados pela Graça, nos tornarmos discípulas e discípulos fiéis ao Projeto Original de Jesus sobre nós. E isso me enche de alegria e desejo de continuar seguindo Jesus como discípula. Quero me dispor como o Servo de Javé apresentado em Isaías: “O Senhor Javé me deu a capacidade de falar como discípulo... Toda manhã ele faz meus ouvidos ficar atentos para que eu possa ouvir como discípulo”. (Is 50,4) Que assim seja, com a Graça de Deus!