As Lições da Eucaristia
Vamos interiorizar o Mistério da Eucaristia seguindo o esquema da própria celebração. A Eucaristia é o grande acontecimento pascal, é o grande rito, é o memorial. “ Tire as sandálias dos pés, porque o lugar que você está pisando é um lugar sagrado ” (Ex 3,5). Poderíamos seguir o itinerário bíblico, isto é, através dos textos que se referem à Eucaristia, porém, seguindo os vários momentos da celebração, o impacto e imediato. Santo Agostinho diz que “a celebração é palavra visível”. É uma ação onde se encarna o agir de Deus, isto é, todo o drama da salvação. Vivendo os vários momentos da celebração, somos conduzidos, passo a passo, pela pedagogia da Igreja, a assimilar os sentimentos que Jesus teve durante a Ceia Pascal e na Cruz, para traduzi-los no nosso estilo de vida. Veremos os vários elementos da celebração:
Ir. Rosane Cordeiro Fiúza Discípulas de Jesus Eucarístico
Padre André Agazzi Sociedade do Santíssimo Sacramento (Sacramentinos)
3. Liturgia EUCARÍSTICA : refeição (banquete) pascal, pão e vinho, onde Cristose entrega por amor. No projeto de Aliança de Deus com os “seus”, as palavras não bastam, há uma exigência de doação total: (cf.Hb 1, 1-4). O “Filho” se doa por amor, é o maior ato de amor da história. O dinamismo (ritmo) da celebração, após a convocação inicial, a reconciliação e o anúncio da palavra, atinge o seu ponto alto na liturgia eucarística, onde é renovada, atualizada a páscoa e Jesus, sua doação: “corpo entregue-sangue derramado”. A Eucaristia educa para o MARTÍRIO (entrega total-doação-testemunho). É este o momento em que toda a vida da Igreja se recolhe ao redor do Cristo-Pascal, se oferece e é relançada pelos caminhos deste mundo para anunciar e testemunhar o amor, a doação, a entrega, através do testemunho (martírio), por ter compreendido o jeito de amar de Jesus.
O “Memorial” – Deus se lembra e também nós nos lembramos. A Oração Eucarística é o coração da liturgia eucarística. É a grande ação de graças e de santificação. Damos graças: fazendo memória de toda a história da salvação, invocando o Espírito Santo para que o pão e o vinho sejam transformados no corpo e sangue do Cristo, oferecendo o sacrifício da Nova e Eterna Aliança pela vida do mundo, num clima de “confissão”-proclamação que sobe até o Pai que merece toda honra e toda glória. Este “memorial” implica a presença ativa e sempre atual de tudo que é lembrado. Assim, as maravilhas de Deus revivem, são atualizadas hoje, porque Deus “se lembra” do que fez e intervém no “hoje”da nossa vida, da nossa história. Também a comunidade “lembra” e segue o exemplo de Cristo: doando-se, comprometendo-se e responsabilizando-se.
4. COMUNHÃO com Cristo e entre nós : Rito de comunhão: Pai nosso – Abraço da paz –Comunhão sacramental: sinais de unidade, partilha e solidariedade. Por isso dizemos que: A Eucaristia educa para o SERVIÇO: a diaconia eclesial, o ministério, procede da Eucaristia, é fruto e conseqüência da Eucaristia. Lucas une a narração da Ceia com a exortação ao serviço (22,24-27). João não narra a instituição da Eucaristia mas lembra o gesto que reconduz ao coração da Eucaristia, o “ lava-pés” (c.13).
5. Ide e ANUNCIAI a todos a Boa Nova : A Celebração termina com o “envio”.É o convite para iniciar uma outra celebração comprometendo a vida. Quando a boa nova arde no coração, urge comunicá-la. Quando presenciamos uma ação onde o amor chega até o fim, a uma entrega total, sente-se a necessidade de levar a sério a vida e o anúncio. É nesta experiência que está enraizada a missão da Igreja. Educa para a MISSÃO. A missão está ligada à “consagração” elemento-chave, que foi realçado pelo Vat.II. “Como o Pai me enviou, assim eu vos envio”(Jo 20,21). A Igreja é tal pelo fato de ser enviada e na Eucaristia afunda as raízes de sua missão. É ali que percebe a vida do Ressuscitado. Fazer a Eucaristia em memória de Cristo, torna-se um gesto autêntico somente para quem tem consciência de que a partir da celebração está inserido na missão da Igreja que é a mesma missão de Cristo.
1. ASSEMBLÉIA : É o primeiro grande sinal que experimentamos na celebração. Os fiéis se reúnem. Santo Agostinho dirá: “Muito corpos, mas não muitos corações”. Podemos dizer: é o próprio Cristo que nos reuniu. Daqui, surge uma primeira LIÇÃO: A Eucaristia nos educa para a ACOLHIDA: cada vez que a assembléia se reúne realiza-se todo o mistério da Igreja. Ora, a comunidade deve sempre estar aberta a todos em sentido de acolhida. Uma comunidade aberta é uma comunidade alegre.
2. Liturgia da PALAVRA : diálogo de salvação. Deus dirige sua palavra ao povo, à comunidade que Ele reuniu e “...no seu imenso amor , fala aos homens tratando-os como amigos e se entretém com eles” (DV 2). Fala apresentando o seu projeto: é o pão da palavra partilhada aos fiéis. Palavra que convoca, ilumina, questiona, anuncia e denuncia. A Eucaristia educa para o DIÁLOGO. Deus fala e a comunidade responde com o salmo, a profissão de fé e as preces ou oração universal. Esta “oração universal” deve abrir o coração para atingir a todos, ajuda a superar o egoísmo, o fechamento. É claro que este diálogo não deve ficar somente no rito, deve prolongar-se na vida do dia a dia. Paulo VI na “Eclesiam suam” lembra que “o cristianismo é a religião do diálogo” (III parte). “A palavra se fez carne” (Jo 1,14). Ora, esta palavra deve encarnar-se em nós.
Cada comunidade-assembléia reunida, convocada por Deus é acolhida por ele. Esta atitude de acolhida deve ser tomada por parte de todos, a começar por aqueles que se encontram ali reunidos. São Paulo escreve aos cristãos de Roma: “Acolhei-vos uns aos outros como Cristo vos acolheu” (15,7). Sendo que o pecado é fonte de divisão, temos o “ato penitencial” que proporciona a conversão, a reconciliação, isto é, algo novo.