Com Jesus, no deserto...
“ Agora, sou eu que vou seduz-la, vou levá-la ao deserto e conquistar seu coração... ... eu me casarei com você na fidelidade e você me conhecerá ”. Os 2,16.22 “ Se passas pelo meu deserto e me diriges a palavra, então a minha solidão se torna povoada, e o meu silêncio preenchido pelos harmoniosos acordes da tua voz ” Ir. Andréa – DJE
Ir. Andréa dos Santos Lourenço Discípulas de Jesus Eucarístico
A imagem do deserto é frequente na Bíblia. Seja no Primeiro que no Segundo Testamento, vez ou outra nos iremos deparar com esta realidade carregada de sentido e significado. A palavra, em si, num primeiro contato, já evoca umas tantas outras que, objetivamente se apresentam a nós: silêncio, solidão, aridez, calor, desafio, caminhada, peregrinação, busca, oásis... No início do tempo quaresmal o evangelho nos mostra Jesus sendo conduzido pelo Espírito ao deserto para passar um tempo em oração – quarenta dias, segundo o Evangelista Mateus (Mt 4,1-11). O fato é que, nos é dito que, ao final dos quarenta dias, Jesus sentiu fome. E é neste momento, que o tentador se aproxima para “tentar” Jesus com propostas que o desviariam completamente do Projeto de Deus; projeto este que ele iria começar a apresentar às pessoas.
Aqui, neste episódio, uma pergunta insiste em povoar meu coração e minha mente: Será que Jesus teve fome apenas de pão? Se Mateus fala de fome de pão, por que, então o diabo insiste com outras duas propostas? Primeiramente, acredito plenamente que as tentações apresentadas, não se apresentaram a Jesus apenas ao final dos quarenta dias de deserto, mas colocadas estratégica e significativamente no início do evangelho, querem dizer de toda uma vida pública de Jesus permeada de tentativas de todos os lados de desviá-lo do projeto original de Deus e da sua missão. Sim. Jesus foi tentado. E o mais importante: Jesus foi capaz de dizer não à todas as tentações que tentaram impor a ele. A “segunda” e a “terceira” tentação – jogar-se do alto do Templo (sensacionalismo) e abraçar o poder e a riqueza (adoração do ídolo do dinheiro) – me fazem intuir que, na verdade, a fome de Jesus não era apenas de pão.
Quando considero que Jesus de Nazaré “Não se apegou à sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tornando-se semelhante aos homens” (Fl 2,6-7), então isto me faz pensar que, com exceção do pecado, ele foi muito parecido comigo e com qualquer uma outra pessoa humana, inclusive com você. E, pelo pouco que já pude conhecer de mim, posso atestar que em mim há muitas fomes, muitas necessidades que pulsam em minha humanidade e que, muitas vezes, preciso aprender a não satisfazê-las todas, pois, muitas delas, são até mesmo contrárias aos valores mais nobres que eu tenho buscado vivenciar.
Quem sabe o que se passava pela cabeça de Jesus quando via a miséria na qual estava mergulhada o seu povo? Talvez não apenas uma ou duas vezes, tenha lhe ocorrido a idéia de buscar o caminho mais fácil para saciar a fome das multidões, e não o caminho conforme o projeto do Pai. E diante dos doentes que apareciam pedindo curas, milagres! Quantas vezes lhe veio o pensamento de deixar-se levar pelos apelos de que ele se transformasse em um curandeiro, mágico ou coisa parecida. Penso nos momentos em que as multidões tentavam aclamá-lo como rei. Não terá passado em sua mente, mesmo por um fugaz instante, em deixar-se levar pela fama, pela popularidade, pelo desejo de um messianismo “maravilhoso”, totalmente contrário ao projeto original de Deus?
Quem sabe o que se passava pela cabeça de Jesus quando via a miséria na qual estava mergulhada o seu povo? Talvez não apenas uma ou duas vezes, tenha lhe ocorrido a idéia de buscar o caminho mais fácil para saciar a fome das multidões, e não o caminho conforme o projeto do Pai. E diante dos doentes que apareciam pedindo curas, milagres! Quantas vezes lhe veio o pensamento de deixar-se levar pelos apelos de que ele se transformasse em um curandeiro, mágico ou coisa parecida. Penso nos momentos em que as multidões tentavam aclamá-lo como rei. Não terá passado em sua mente, mesmo por um fugaz instante, em deixar-se levar pela fama, pela popularidade, pelo desejo de um messianismo “maravilhoso”, totalmente contrário ao projeto original de Deus?
A imagem do deserto é frequente na Bíblia. Seja no Primeiro que no Segundo Testamento, vez ou outra nos iremos deparar com esta realidade carregada de sentido e significado. A palavra, em si, num primeiro contato, já evoca umas tantas outras que, objetivamente se apresentam a nós: silêncio, solidão, aridez, calor, desafio, caminhada, peregrinação, busca, oásis... No início do tempo quaresmal o evangelho nos mostra Jesus sendo conduzido pelo Espírito ao deserto para passar um tempo em oração – quarenta dias, segundo o Evangelista Mateus (Mt 4,1-11). O fato é que, nos é dito que, ao final dos quarenta dias, Jesus sentiu fome. E é neste momento, que o tentador se aproxima para “tentar” Jesus com propostas que o desviariam completamente do Projeto de Deus; projeto este que ele iria começar a apresentar às pessoas.
Mas, se ao mesmo tempo encontro tantas semelhanças entre a minha humanidade e a de Jesus, continuando a percorrer as páginas do evangelho, consigo perceber também significativas diferenças entre nós. Mas isto, ao invés de me entristecer, me enche de esperança e colore meu olhar de brilho. Jesus é uma pessoa que sabe integradamente exercer a sua liberdade. Nas lutas entre as necessidades e os valores, os ideais do seu projeto de vida, ele sabe discernir com inteireza e optar sempre por Deus e pelo Reino. Ele sabe, como nenhum outro ser humano soube, dizer não a todo projeto de morte para abraçar e promover toda iniciativa promotora de vida. E isto é para mim um convite a que eu, pela estrada da minha humanidade, motivada pelas suas atitudes, construa o meu caminho no projeto do Pai, aprenda a ir libertando a minha liberdade, tantas vezes comprometida, tentada a buscar o caminho do mais fácil.