Maria nos encaminha para o Discipulado
É Ela sim, discípula e mestra, mulher eucarística, aberta ao Espírito, é a Mãe que estará sempre nos aconselhando: “ Façam o que ele mandar ” (Jo 2,5). Já que lembramos isso, vamos um pouco mais adiante para escutar: “Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros” (Jo 13,34). Será Lucas a nos ambientar lá “ no andar de cima, uma sala grande, arrumada com almofadas ” (Lc 22, 12). Ali, o Mestre está, sentado à mesa com os apóstolos e até hoje o escutamos dizer: “ Desejei muito comer com vocês esta ceia pascal, antes de sofrer...pegou o cálice, agradeceu a Deus...tomem isto e repartam entre vocês...tomou um pão, agradeceu a Deus, o partiu e distribuiu a eles...façam isto em memória de mim ” (Lc 22, 15-19). “O andar de cima... a sala de cima, grande...”. Nossa Senhora, parece nos dizer hoje: “ Vamos, freqüentem esta sala, subam, permaneçam bastante, celebrem, adorem, cantem, fiquem de olhos fixos nelu ”. Mais bonito ainda se chamarmos esta “sala” de “cenáculo”, o lugar da “Cena-Ceia”, lugar onde estaremos nos alimentando à vontade, meditando “a palavra, pão da vida juntamente com a Eucaristia” (cfr. DV 21).
Padre André Agazzi – SSS Sacramentino
Maria, é Ela que nos convida a integrarmos o grupo dos Onze que “ costumava hospedar-se na sala de cima... assíduo na oração... junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, a Mãe de Jesus... ”(At 1,13-14). Assiduidade, perseverança, eis as virtudes que aprendemos dos cristãos das primeiras comunidades: “ Eram perseverantes em ouvir os ensinamentos dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações ” (Lc 2,42). Parece até de ver Nossa Senhora convocando, motivando a turma, lembrar o horário da oração, respondendo a perguntas, querendo saber sobre Jesus, sobre José, como foi a volta do Templo quando do reencontro...Vamos imaginar a alegria destas comunidades em perceber a presença do Ressuscitado entre eles, a presença do Espírito Santo...é tão bom pensar nisso, até mesmo no momento da adoração, sonhando de olhos abertos, “ ...adorando o Senhor no esplendor da santidade ” (Sl 95(96), 9). Vamos continuar acompanhando o exemplo de Maria, seu estilo de oração. No “Compêndio do catecismo da Igreja católica”, encontramos algo que pode nos servir de estímulo. É isso: “ A oração de Maria se caracteriza por sua fé e por sua generosa oferta de todo seu ser a Deus. A Mãe de Jesus é também a Nova Eva a “Mãe dos vivos”, ela reza a Jesus seu Filho pelas necessidades dos homens ” (546). Mais: “ Além da intercessão de Maria em Cana da Galiléia, o Evangelho nos apresenta o Magnificat (Lc 1, 46-55) que é o cântico da Mãe de Deus e o da Igreja, o agradecimento alegre que sobe do coração dos pobres porque a esperança deles é realizada pelo cumprimento das promessas divinas. ”(547). Ainda mais: Maria no seu constante “sim”, nos ensina a perceber a presença do Espírito Santo em nossa vivência cristã. Ao longo do seu itinerário, podemos contemplar com facilidade, à partir dos evangelhos, sua disponibilidade: o “Sim” no anúncio, o “sim” rumo à casa de Isabel, o “sim” indo para Belém, o “sim” fugindo para o Egito, o “sim” na casa de Nazaré...até o “sim” do Calvário...E após “esta longa caminhada”, é bonito também, contemplar o “sim” do Pai, glorificando Maria que invocamos “Assunta ao Céu”. E ao celebrarmos a Eucaristia, ao interiorizarmos o Pão da Vida na adoração, será sempre satisfatório para todos nós, orarmos com Maria, acolhê-la bem perto de nós, pois, com sua delicadeza de Mãe, poderá sempre nos questionar no momento de voltarmos para casa ao dizer-nos: “Minhas filhas, meus filhos, vocês cantaram – E quando amanhecer o dia eterno a plena visão, ressurgiremos por crer, nesta vida escondida no pão – pois bem, “esta vida escondida no pão”, será sua força, seu alimento em qualquer momento do dia e da noite. Eu caminharei com vocês para lembrar-lhes que sempre valerá a pena voltar para a “sala de cima”, para o Cenáculo, a fim de renovar seu “sim” sua fidelidade, , pois eu também estarei ao seu lado para sempre”. Amém! Aleluia!