Sede
Ir. Andréa dos Santos Lourenço Discípula de Jesus Eucarístico Tenho sede! Meu ser é todo sede. Sede barulhenta que corre dentro de mim como se fosse um rio caudaloso varrendo, rastreando cada célula em mim. Tenho sede! Sou sede! Sou busca, procura. Sedenta é meu nome, faminta, meu sobrenome. Minha sede é falta, mas é também possibilidade. E por isso, compreendo-me possibilidades. Se sou sede posso ser saciada. Se sou fome, posso ser alimentada. Minha sede, então, se torna louvor! Não a vejo como maldição, mas como bênção, mesmo se às vezes ela pese em meu coração. Minha sede mobiliza meu ser, desinstala meu viver, me faz compreender que quem a sacia, nunca o poderei conter, pois Ele é a FONTE, e fonte não se retém, não se contém. Ser sede me ensina que meu pai se chama desejo, minha mãe se chama consciência. Me geraram mulher, feminina, e ao ser consagrada sou chamada à transcendência. Obrigada, meu Deus, por minha sede tocares, e não a saciares. Plenitude é meu destino, caminho para ela, que aqui não se dará, mas sei que a irei encontrar. E aí, eu irei desaguar, e me saciar, e me encantar, e me deliciar, e amar... e contemplar...